quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O papa dos escândalos e seus resquícios


Para falarmos de assuntos criminosos e nojentos como o abuso infantil e tortura em uma organização institucional como o Vaticano, precisamos no mínimo de provas sobre esta acusação. Um rápido exemplo é o cardeal Bernard Law, antigo arcebispo de Boston nos Estados Unidos, que tem uma ação judicial contra a proteção, acobertamento e por defender pessoas envoltas neste crime. O Estado de Massachussets condenou por mais de 200 casos de acobertamento de pedófilos, e por crimes de lavagem de dinheiro, a sentença de prisão perpétua. Neste momento ele é o Vigário Geral da igreja de Santa Maria Magiore em Roma, apontado pessoalmente por Bento XVI. Entre outros benefícios, em 2013 ele foi um dos homens mais votados no Conclave para eleger o próximo Papa.
Bento XVI mostrou-se um inimigo da humanidade, sendo inimigo das crianças que ele permitiu que fossem estupradas, e pelas mentes que encorajou como sendo infectadas pela culpa, já originada na doutrina do Pecado Original, a qual todos nós somos ruins, maus e temos que nos redimir a Jesus Cristo para podermos ser salvos. Deixando nas mãos de seu sucessor os piores casos de sodomia realizados pelo mundo, a qual ele poderia ter evitado pelo menos o acobertamento destes criminosos. Inimigo da verdade, Bento XVI passou seu pontificado frisando que o uso de preservativos não protegiam as pessoas da Aids, levando assim a morte de milhões de pessoas, especialmente na África, quais eram negados tais tipo de ajuda. Inimigo da ciência, o pontífice obstruía as pesquisas com células-tronco, baseando-se não na moralidade mais na superstição pré-científica. Talvez uma das minhas maiores preocupações, Bento XVI é um inimigo da educação, alegando que a evidência é uma base menos confiável para a crença do que a fé, tradição e autoridade da Igreja.
De forma medieval, ao pedir desculpas pela conversão forçada de índios na América e especialmente no Brasil, ele pediu desculpas mais alegou que estes índios estavam esperando ansiosamente pela chegada da Igreja, que os levaria para a salvação eterna.
Continuador da obra conservadora de seu antecessor João Paulo II, Bento XVI assinou vários documentos condenando a teologia da libertação, a homossexualidade, o modernismo do mundo e temas de vida com o aborto.
Em março de 2012, após uma viagem ao México e a Cuba, Bento XVI recebeu um conjunto de novas denúncias. Desta vez tratava-se que um grande grupo de cardeais que estariam envolvidos em redes de tráfico e corrupção, lavagem de dinheiro, roubo de documentos secretos, guerras de facções. Desde então, o pontífice viu-se obrigado a expor o imenso número de casos de pedofilia no Vaticano, deixando o Estado com a fama de um dos mais obscuros do mundo. Entre outros vários assuntos, as novas denúncias falavam de uma conspiração contra o poderoso secretário de Estado Tarcísio Bertone, acusado de manter uma poderosa facção.
Depois dos escândalos do vazamento das cartas secretas do Papa, seu secretário monsenhor Georg Gansweins contratou o jornalista Greg Burke, membro da Opus Dei com intenção de melhorar a imagem da Igreja, que se viu atrapalhado para poder contornar alguma coisa.
Ao contrário da idéia de um Papa da luz, ele foi o contrário, deixando cair na opacidade que se instalou durante seu reinado, caindo em constantes contradições.
Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Próximo à Opus Dei, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento XVI em julho do mesmo ano. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano. As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norte americano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época.
Após a renúncia do Papa, Jorge Bergoglio foi o nome mais votado pelo Conclave tornando-se o carismático papa Francisco. Algo comum na Igreja é após um papado conservador termos um papado inovador. Após a morte do conservador e sinistro Papa Paulo VI em 1978, que teve seu funeral debaixo de uma forte chuva com a presença de pouquíssimas pessoas, enquanto fora dos portões do Vaticano, grupos protestavam. O conclave elegeu um Papa mais carismático e apoiado pelo povo que foi João Paulo I, que faleceu de formas até hoje não divulgadas oficialmente após 33 dias de pontificado. Nos primeiro dias de pontificado, João Paulo I disse que teria grandes reformas, entre elas analisar supostos escândalos do Banco do Vaticano.
Francisco tem desafiado as poderosas forças do Vaticano desde o início de seu pontificado. Pedindo constantes perdões pelos crimes praticados por sacerdotes de sua Igreja, Francisco retirou dezenas de padres e bispos de sua Igreja, condenando-os a pagarem pelos seus crimes. Uma fonte que não é totalmente verídica, afirma que o Papa teria inclusive pedido a retirada do cardeal Bernard Law, citado no início do texto. Apesar de seus esforços, Francisco tem sido alvo constante, e criticado por não tomar providência em temas como o aborto e o afastamento de criminosos de seu Estado por motivos políticos, que o envolveriam em problemas mais graves. Em último documento, Francisco escreveu os dez pecados da Cúria, aonde critica diretamente a postura dos cardeais e líderes próximos a ele. Talvez poderíamos nos perguntar se uma pessoa que alega ser infalível e o representante direto de Cristo na Terra, que é um monarca e tem todo o poder da Igreja, não poderia acabar com a imagem manchada da Igreja Católica, sendo assim um novo humanista, defensor e combatente de idéias medievais aprovadas pela Igreja como condenar o aborto, o uso de preservativos como sendo abominável, o fim do preconceito ridículo contra às mulheres, as alegações de infalibilidade de sua Igreja, o afastamento e entrega de criminosos em seu Estado a justiça. Ele poderia, mais o que o aguardaria se não as rasteiras de pessoas a sua volta, ou um curto fim com o de João Paulo I? Francisco é a imagem criada e pronta de uma Igreja que não via outra forma para combater a mancha negra deixada por seus antecessores, e a qual será um grande fardo não para mudar a Igreja, mais fazer uma nova imagem dela. Na analise de estudiosos, o próximo sucessor de Francisco, provavelmente será um novo conservador.


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