quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A ciência e as experiências de quase morte.

EQM é a sigla para Experiências de quase morte. Segundo este estudo, diversas pessoas já passaram por experiências enquanto sofriam algum grave problema, como uma parada cardíaca. Durante este período em que estavam inconscientes, descrevem terem visto um longo túnel, parentes já falecidos, visto deuses e anjos entre outras descrições. Para os estudiosos das EQMs, o registro mais antigo seria do século IV A.C. descrito em A República de Platão. Um soldado sofrera um grave ferimento durante uma batalha e é ressuscitado no seu funeral, descrevendo viajar por uma escuridão à luz, acompanhado de guias, um momento de julgamento, sentimento de paz e alegria. Mas o caso citado por Platão pode simplesmente representar visões filosóficas e religiosas da época.
As EQMs ficaram famosas na década de 1970, com a publicação de dezenas de livros como Life After Life, publicado em 1975, pelo médico Ray Moody. Moddy era um médico fascinado pelas EQMs, ele e sua esposa estavam totalmente convencidos de que elas eram a chave e a prova de uma vida após a morte. Com mais de 150 relatórios, ele fez sucesso pelo mundo difundindo suas pesquisas e vendendo milhares de livros.
As sensações mais descritas pelo psicólogo americano Kenneth Ring são: Uma experiência de paz, bem estar e ausência de dor. Sensação de desligamento do corpo físico, progredindo para uma experiência fora dele. Entrar numa escuridão, um túnel com uma memória panorâmica e um efeito predominantemente positivo. Uma luz branca, calorosa e atraente. Entrar na luz, encontrando pessoas e figuras.
Nas palavras do Dr. Ray Moody, as EQMs são algo muito comum, o que não é totalmente verídico. Estas experiências não ocorrem somente com quem corre um grave estado de risco de morte, há relatos parecidos durante o sono, como afirma a psicóloga Susan Blackmore. Também não se pode dizer que a memórias das pessoas se refere ao tempo em que estavam clinicamente mortas, geralmente essa sensação se refere ao momento que antecede a inatividade cerebral, isto se puder excluir a hipótese de uma mentira da própria pessoa.
Quando o cérebro é privado de oxigenação, as primeiras células a entrar em colapso são um grupo cuja tarefa é inibir o excesso de atividade cerebral. Sem essa inibição, o cérebro produz uma chuva de impulsos nervosos na área cerebral que comanda a visão. Uma simulação disto em computador mostra que essa interferência, começa no campo visual e a medida que o oxigênio acaba, estende-se para o resto do campo. O efeito é um ponto de luz que cresce, dando assim a sensação de estar em um túnel de luz.
Outro dado curioso é que a religiosidade de cada pessoa interfere muito nas experiências, católicos dizem terem visto Jesus, A virgem Maria, anjos. Espíritas dizem encontrar espíritos de luz, umbandistas vêem orixás. Cada um diz ter visto uma imagem diferente, e os teístas dizem terem visto Deus, mais nunca conseguem definir sua imagem.
O papel das drogas aplicadas durante o processo também explica muito as EQMs, algumas como anfetaminas, cetaminas e inclusive o ácido lisérgico(LSD), provocam alucinações complexas, que se unem a certos receptores cerebrais que então ativa os receptores e mede seus efeitos. Um exemplo, a cetamina e o LSD se ligam a um receptor chamado N-metil-D-aspartate(NMDA), e quando este é ativado, alucinações costumam ocorrer.  
O Dr. Sam Parnia, é um fervoroso estudiosos das EQMs, no seu livro O que acontece quando morremos, 2008, o médico faz um experiências durante três anos. Como a maioria dos pacientes relatam terem visto a sala cirúrgica e seu próprio corpo como que do teto da sala, podendo inclusive ver os médicos e seu próprio corpo, Parnia colocou diversos desenhos colados no teto, cobertos de modo que ninguém visse, seu objetivo era quando ocorresse um caso de EQM, o paciente poderia dizer que figuras teria visto. Mas nenhum dos 32 pacientes que disseram passar pela experiência, foram capazes de descrever alguma coisa.
As experiências também são estudadas agora nos casos da interrupção do estágio de sono que precede a vigília ou a sonolência. O processo chamado de paralisia do sono, aonde a pessoa diz perder os movimentos corporais, enquanto se diz consciente do mundo externo. Desde 2005, um estudo mostra como a experiência pode ser iniciada artificialmente, pela estimulação da junção têmporo-parietal direita do cérebro, sugerindo que a confusão das informações sensoriais do corpo pode alterar radicalmente a experiência do indivíduo sobre o próprio corpo.
Pacientes com a doença de Parkison relatam visões de fantasmas e monstros. Isto por que a doença envolve o funcionamento anormal da dopamina, um neurotrasmissor que pode provocar alucinações. Uma alucinação é algo totalmente real para a pessoa que a sente.

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